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Dieta ”Low Carb” funciona? Depende…

Vamos direto ao ponto, porque nós sabemos que você não tem tempo a perder com contos de fadas metabólicos.

Você abre o Instagram e lá está: o influenciador da vez (ou até mesmo cientistas enviesados),  jurando que o segredo da performance suprema é zerar o carboidrato, viver de gordura e transformar seu corpo em uma “máquina de cetose” (Dieta da selva! Uhul!).

A promessa é linda: um tanque de combustível infinito. Afinal, mesmo o cara mais magro do pelotão tem umas 30.000 calorias de gordura estocada, enquanto o glicogênio (o carboidrato no músculo) mal chega a 2.500 kcal.

A lógica de boteco diz: “Se eu usar a gordura, nunca vou quebrar (o famoso bonking)”.

A fisiologia de elite diz: “Parabéns, você tem um tanque infinito, mas acabou de trocar o motor de uma Ferrari pelo de um trator”.

A Armadilha do “Tanque Cheio, Motor Lento”

Nós, nutricionistas, vemos isso o tempo todo. Atletas de alta performance, e até operadores táticos, chegando frustrados. Eles fizeram o “protocolo” perfeito. Estão em cetose profunda. Mas na hora que precisam de explosão, de subir a serra ou de dar aquele tiro final na perseguição… o corpo não responde. Eles têm energia, mas não têm potência.

O estudo Supernova, liderado por Louise Burke (uma lenda na área), mostrou exatamente isso. Colocaram atletas olímpicos em dieta cetogênica. O resultado? Em 5 dias, eles realmente viraram máquinas de queimar gordura. As taxas de oxidação dobraram. Fisiologicamente, foi um recorde.

Mas na pista? O tempo piorou.

Em uma prova de 10km, a performance caiu 86 segundos. No mundo real, onde cada segundo conta, isso é a diferença entre o pódio e o esquecimento. Ou, no nosso cenário tático, a diferença entre alcançar o objetivo ou falhar na missão.

O Imposto que Ninguém Te Conta: O Custo do Oxigênio

Aqui está a verdade inconveniente que a turma do Low Carb radical ignora: a termodinâmica não perdoa. Queimar gordura custa caro.

Para gerar a mesma quantidade de energia (ATP), a gordura exige cerca de 8% a mais de oxigênio do que o carboidrato.

Pense com a gente: quando você está no limite, a 90% da sua frequência cardíaca máxima, com o pulmão ”queimando”, o oxigênio é o recurso mais escasso que você tem. Se você força seu corpo a usar gordura nessa hora, você está desperdiçando oxigênio. 

Você está, literalmente, sufocando sua própria performance. Você atinge seu teto muito antes do seu adversário que comeu carboidrato.

Inflexibilidade Metabólica: Você Quebrou a Chave da Ignição

“Ah, Felipe e Guilherme, eu treino em Low Carb e no dia da missão eu como carboidrato”.

Sinto informar: não funciona assim. O corpo não é um interruptor de luz. Isso pode funcionar pontualmente, como o Felipe Costa já escreveu nesse artigo falando sobre emagrecimento para cursos operacionais: https://blog.nutriservidor.com.br/2026/02/02/voce-precisa-emagrecer-para-um-curso-operacional-leia-isso/.

Quando você passa meses forçando a gordura, você desaprende a usar glicose. Existe uma enzima chamada PDH (Piruvato Desidrogenase). Ela é a porta de entrada para a queima rápida de açúcar. Na dieta cetogênica, essa porta enferruja. O estudo Supernova 2 provou que, mesmo enchendo o tanque de carboidrato 24h antes, o corpo dos atletas não conseguia usar aquele combustível direito.

O metabolismo ficou “rígido”. Você tenta acelerar, pisa fundo, mas o motor engasga porque a injeção eletrônica (a via glicolítica) foi desabilitada.

O Preço Oculto: Seus Ossos Estão Pagando a Conta?

Se a queda de rendimento não te assustou, talvez isso assuste.

A restrição severa de carboidratos aliada ao treinamento intenso parece criar um ambiente ácido que o corpo tenta neutralizar, adivinha?! … usando o cálcio dos seus ossos.

Os marcadores de reabsorção óssea (destruição) disparam, e os de formação óssea despencam.

E o pior: mesmo depois de voltar a comer normal, a capacidade de construir ossos novos demorou a voltar. Para quem vive de impacto e carga, flertar com fratura por estresse em nome de uma dieta da moda é, no mínimo, imprudente.

A Solução: Seja um Híbrido, Não um Bitolado

O futuro da alta performance, seja no esporte ou no operacional,  não é a restrição, é a Flexibilidade Metabólica.

A estratégia de ouro hoje é a Periodização de Carboidratos. É o conceito de “Combustível para o Trabalho Necessário”.

Vai fazer um trote leve? Pode ir com baixo carboidrato, ensine sua mitocôndria a ser eficiente.

Vai ter tiroteio, sprint, TAF ou competição? Encha o tanque de glicogênio.

Você precisa de um motor que aceite qualquer gasolina, não de um sistema viciado que só roda se as condições forem perfeitas. (motor flex).

Pare de tratar dieta como religião e comece a tratar como estratégia. Você prefere ser o magro que fica para trás ou o atleta que cruza a linha de chegada primeiro?

A escolha é sua.


Por: Esp.Felipe Costa e Dr.Guilherme Mendes
Instagram: @felipecosta.nto e @nutriguilhermefalcao

Saiba mais sobre os artigos e trabalhos usados como referência:
https://sigmanutrition.com/episode282/
https://physoc.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1113/JP273230



Palavras-Chave: Nutrição Tática, Dieta Cetogênica, LCHF e Performance, Metabolismo Policial, Flexibilidade Metabólica, Nutricionista Felipe Costa, Dieta Low Carb Funciona?, NutriServidor, Performance Esportiva, Queima de Gordura.

Baiano, Nutricionista, Praticante de diversos esportes e especialista em Nutrição Tático Operacional desde 2018. Idealizador do N.T.O (Nutrição e Treinamento Tático Operacional) (Criado em 2024, atual). Nutricionista Parceiro GRR/PRF. (atual) Nutricionista Parceiro ANP/PF. (atual) Nutricionista Parceiro GT3/PCGO. (atual) Nutricionista Parceiro CORE/PCERJ / CORE/PCBA / CORE/PCES. (atual) Professor de Pós Graduação no Instituto Doutrina Policial. (Atual) Fundador Bio Efficiency (2010). Fundador Flora Orgânicos (2016). Pesquisador IBICT (2019).

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