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A Guerra das Gorduras: O Fim do Medo?

Por anos, vimos uma caça às bruxas contra a gordura saturada, o que ironicamente encheu

as prateleiras de produtos “low fat” abarrotados de açúcar e aditivos. O novo guia americano finalmente começa a corrigir a mira. A discussão está saindo da calculadora de nutrientes (saturada vs. insaturada) e indo para o que colocamos no prato: a comida de verdade.

O documento aponta o dedo para o problema real: o excesso de óleos industriais refinados (ricos em ômega-6 e propensos à oxidação) e a substituição de gorduras naturais por ultraprocessados. Na N.T.O, sempre defendi que a gordura natural dos alimentos da carne, do ovo, do abacate é combustível, não veneno. Embora eles mantenham o teto conservador de 10% para saturadas, a mensagem subliminar é clara: parem de trocar comida real por lixo industrializado “light”.

Proteína: De Sobrevivência para Funcionalidade

Aqui está o ponto que considero uma vitória estratégica. A recomendação clássica de 0,8 g/kg de proteína sempre foi, na minha visão, uma meta de “sobrevivência” para evitar deficiência (inclusive motivo de discussões com professores durante a minha graduação, tem mais de 10 anos isso!!!), e não uma meta para quem busca performance e longevidade.

aO novo guia sugere elevar essa régua para 1,2 a 1,6 g/kg. Para nós, que treinamos e buscamos um corpo operacional, isso é o básico. Proteína não é só construtor de músculo; é saciedade, é preservação de massa magra (crucial conforme envelhecemos) e é resiliência metabólica. O texto finalmente reconhece a importância da “ingestão funcional”, valorizando a densidade nutricional das proteínas animais e a biodisponibilidade que elas oferecem. Em resumo: garantir sua cota de proteína em todas as refeições não é “exagero de marombeiro”, é estratégia de saúde.

Carboidratos: Qualidade é a Chave

Não, o governo americano não virou “low carb”. Mas eles admitiram que o problema não é o

carboidrato em si, e sim a qualidade da munição. A maior parte da energia da dieta americana vem de fontes pobres: açúcares, farinhas refinadas e processados.A diretriz é focar em carboidratos que tragam fibra e nutrientes junto (vegetais, frutas, grãos integrais). Na prática tática, isso significa eficiência energética. Grãos refinados são como pólvora seca que queima rápido demais (picos de glicose), enquanto fontes integrais oferecem uma liberação de energia mais sustentada. A ideia é limpar o terreno, removendo o que é ultraprocessado e mantendo o que serve ao propósito do corpo.

A Lição Tática

O que fica claro é que os EUA estão, aos poucos, convergindo para o que o nosso Guia Alimentar para a População Brasileira já preconiza há anos: o foco no nível de processamento dos alimentos.

A “novidade” lá fora é o que já aplicamos aqui na N.T.O:

1. Coma comida de verdade.

2. Não tema a gordura natural dos alimentos, tema a indústria.

3. Aumente a proteína para sustentar a máquina.

4. Treine pesado.

Não se deixe levar por manchetes que dizem que “tudo mudou”. A base fisiológica da nutrição humana não muda a cada 5 anos. O que muda é a nossa capacidade de filtrar o sinal em meio ao ruído. Mantenha o foco na estratégia, priorize alimentos nutricionalmente densos e siga o plano.

Felipe Costa Nutricionista | Idealizador da N.T.O

Baiano, Nutricionista, Praticante de diversos esportes e especialista em Nutrição Tático Operacional desde 2018. Idealizador do N.T.O (Nutrição e Treinamento Tático Operacional) (Criado em 2024, atual). Nutricionista Parceiro GRR/PRF. (atual) Nutricionista Parceiro ANP/PF. (atual) Nutricionista Parceiro GT3/PCGO. (atual) Nutricionista Parceiro CORE/PCERJ / CORE/PCBA / CORE/PCES. (atual) Professor de Pós Graduação no Instituto Doutrina Policial. (Atual) Fundador Bio Efficiency (2010). Fundador Flora Orgânicos (2016). Pesquisador IBICT (2019).

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