Se você usa alguma das “Canetinhas” , LEIA ISSO!
Vamos direto ao ponto, sem rodeios. A popularização dos análogos de GLP-1 (as famosas “canetinhas”) revelou duas coisas: a potência da farmacologia moderna e a incompetência de muitos profissionais que pararam no tempo.
Tem muita gente perdendo 10kg, 15kg na balança e comemorando. Mas, como Nutricionista de campo, eu olho os exames e vejo um desastre: o sujeito não emagreceu, ele “atrofiou”.
Estamos criando uma legião de sarcopênicos funcionais.
Se você acha que acompanhar um paciente usando análogo de GLP-1 é só passar uma dieta hipocalórica e mandar beber água, você está obsoleto. O jogo mudou.

A Verdade Inconveniente: Não é Falta de “Força de Vontade”.
Vamos parar com esse papo motivacional barato de que obesidade se cura apenas com “foco, força e fé”. Os estudos que baseiam minha conduta clínica deixa claro: a obesidade é uma doença neurobiológica crônica e recidivante.
O cérebro do obeso está inflamado. O hipotálamo, que deveria controlar a fome, está sob ataque de citocinas inflamatórias que “calam a boca” dos neurônios que dão saciedade (POMC/CART) e deixam os neurônios da fome (NPY/AgRP) gritando.
A “canetinha” não é mágica, ela é um ajustador de sinalização. Ela reduz o “food noise” (aquele pensamento obsessivo em comida) ao modular o sistema de recompensa.
O problema? Se o Nutricionista não entrar com a estratégia certa, o paciente para de comer tudo, inclusive o que precisa. E aí começa a “Caquexia Iatrogênica”.

O Erro Crasso da Proteína (Matemática de Padaria não funciona aqui)
Aqui é onde a maioria erra feio. O paciente está sem fome nenhuma. Ele tem aversão a comida e se você, Nutricionista, calcular a proteína pelo peso total dele (aquele cálculo básico de faculdade), vai dar uma quantidade de comida que ele não consegue comer.
A estratégia tática é: calcular a proteína baseada na Massa Isenta de Gordura (FFM), e não no peso total. O alvo é a faixa mín. de 1,6g a 1,8g por kg de massa magra ao dia. Entenda que isso vai depender da composição corporal atual do indivíduo.
Por que isso é inegociável? Dados mostram que sem treino de força e sem aporte proteico ajustado, a perda de músculo pode atingir 20-25% do peso perdido em homens e 10-15% em mulheres. O sujeito fica leve, mas fraco, flácido e com o metabolismo no chão. Isso não é saúde, é destruição estrutural.
Gestão de Crise: Náuseas e o Risco Renal
O paciente chega reclamando de náusea e o Nutricionista diz: “é normal”. Não, não é só “normal”, é perigoso. Vômitos persistentes e baixa ingestão de água levam à desidratação e podem causar Lesão Renal Aguda.
O Nutricionista precisa agir como um gestor de efeitos colaterais:
- Náusea? Nada de jejum prolongado. Fracionamento agressivo, uso de gengibre ou hortelã e evitar gorduras.
- Aversão a sólidos? Entra com densidade nutricional líquida (smoothies proteicos) para garantir o aporte calórico mínimo.
- Constipação? Hidratação agressiva (mínimo 40ml/kg) e manejo de fibras. O intestino parado reabsorve toxinas e piora tudo.

O Mito do “Desmame” e o Efeito Rebote
“Ah, mas quando parar de usar, engorda tudo de novo”. Engorda porque o tratamento foi feito nas coxas. O desmame não é uma “parada”, mas uma transição biológica.
Durante o tratamento, precisamos usar bioativos como Berberina e Curcumina para mitigar o estresse oxidativo pancreático e estimular a produção natural de GLP-1, facilitando o futuro desmame. Se você não preparou o terreno com fibras fermentáveis e modulação intestinal para quando a droga sair, o hipotálamo vai pedir a conta de volta. Entenda que esses ativos podem ser usados, mas não como mágicos, ou como ‘’ A solução ‘’, muito diferente do que discursam por aí.

Conclusão: O Nutricionista é um Gestor Metabólico
O paciente que usa GLP-1 não precisa de alguém para dizer “coma salada”. Ele precisa de um estrategista que monitore exames (amilase, lipase, função renal), que obrigue o treino de força como um componente “não-negociável” do tratamento e que proteja a tireoide e o pâncreas com suplementação inteligente.
Se você é Nutricionista, pare de ter medo da farmacologia e aprenda a trabalhar com ela. Se você é paciente, cuidado com quem só olha o número na balança. O sucesso não é perder peso a qualquer custo; é mudar o “set point” metabólico sem destruir o corpo no processo.
Nutrição Tática é isso: eficiência, ciência e resultado real. O resto é conversa fiada.
Por: Nutricionista Felipe costa
instagram: @felipecosta.nto
Palavras-Chave:
Ozempic, Mounjaro, Semaglutida, Nutricionista Especialista em Emagrecimento, Hipertrofia com Ozempic, GLP-1, Efeito Platô, Nutrição Tática.



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