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O Relato de um Nutricionista: O que eu vi em cursos de Operações Especiais.

Por que a Nutrição Tática e a composição corporal decidem quem ostenta o brevê e quem toca o sino.

A Mística da “Caveira” vs. A Frieza da Fisiologia

Vamos tirar o elefante da sala? O meio tático está viciado em uma mentira romântica. Vendem a ideia de que o curso de operações especiais é 100% “psicológico”, que basta ter “mindset” e vontade de vencer.

  Como nutricionista especialista em Nutrição Tática Operacional, eu olho para os dados e vejo outra história. O que derruba o candidato não é a falta de grito de guerra, é a falência metabólica.

A brevetação não é um teste de fé; é um exame de eficiência biológica extrema.

  O erro mais hipócrita que vejo no consultório? O candidato gasta R$ 5.000,00 em um plate carrier de marca gringa, investe fortunas em armamento e acessórios, mas economiza na única máquina que realmente entra em combate: o próprio corpo.

Vi candidatos “taticamente estéticos” colapsarem porque o motor estava fundido antes da largada.

O “Shape” Operacional e a Regra dos 16mm

 Esqueça o que você acha que sabe sobre IMC. Em um dos cursos que acompanhei, os extremos foram punidos pela física. Os muito magros ‘’rodaram’’. Os muito pesados ‘’rodaram’’.

Aqui está a polêmica que ninguém gosta de admitir: 0% dos candidatos classificados como Obesos Grau I (IMC > 30) concluíram algum curso que tive a honra de acompanhar. Zero. A matemática não tem sentimentos. Se você entra pesado, suas articulações pagam o preço e sua termorregulação falha.

  Por outro lado, o “sobrepeso” estatístico (IMC 25-29) foi onde se concentraram os concluintes. Por quê? Porque muito desse peso era massa magra funcional ou o peso do equipamento somado na pesagem. 

O segredo não está na balança, está no adipômetro.

  Em outro dos cursos, os sobreviventes entraram com uma média de 16mm de dobra cutânea abdominal e saíram com 12mm. Se você tem mais de 20mm de dobra abdominal ou uma cintura maior que 94cm, você não é um “urso operacional”, você é um inflamado em risco de resistência à insulina. Você é um passivo para a sua equipe (você está indo para um curso operacional, não é um curso qualquer).

A Roleta Russa da “Bomba” e a Suplementação de Fórum

  O dado mais alarmante do relatório de um dos cursos no centro-oeste do Brasil: 24 candidatos se automedicavam ou consumiam suplementos sem orientação, contra apenas 2 com orientação profissional.

Aqui entra a hipocrisia do meio.

O uso de esteroides anabolizantes para “aguentar o tranco” é a maior prova de amadorismo que existe. Além de ser uma infração ética (Doping), usar anabolizantes em um ambiente de restrição hídrica e estresse térmico é pedir para ter uma rabdomiólise ou falência renal.

Alguns casos são exceções, inclusive o uso de ésteres de testosterona mais longos, como o Undecilato de Testosterona, mas isso é papo pra outro artigo.

 O candidato que precisa de agulha para ter performance não é “hardcore”, é frágil. Ele está mascarando a falta de competência fisiológica com drogas que destroem tendões e ligamentos quando submetidos à carga operacional real.

Seu Intestino é seu Ponto Fraco

  Ninguém posta foto da Escala de Bristol no Instagram, certo? Mas a saúde intestinal (ou a falta dela) foi determinante em todos os cursos que acompanhei.

  Empachamento, azia, diarreia… sintomas ignorados que sinalizam que você não absorve o que come. Em uma missão de 72h, se seu intestino não funciona, o combustível não chega ao músculo. Você vira um peso morto. Nenhum candidato com problemas gastrointestinais prévios chegou ao final.

  Se você não monitora sua saúde intestinal com a mesma obsessão que limpa seu fuzil, você não está pronto.

O Amadorismo dos 52%

  Mais da metade dos candidatos (52,2%) de um dos cursos, nunca falou com um nutricionista. Eles confiaram na sorte ou na dieta da internet.

  É aqui que separo o operador do aventureiro. O sucesso em um COEsp/CFP/COP, por exemplo, é decidido meses antes do primeiro tiro, na análise de biomarcadores que a maioria ignorou.

  O papel da Nutrição Tática não é passar “dietinha para emagrecer”. É modulação de estresse, é estratégia de glicogênio para privação de sono,é garantir que seu corpo aguente o inferno sem desligar. Quem ignora o suporte técnico está brincando de ser soldado.

Provocação Final

  Acompanhando alguns cursos posso dizer que são  ‘’um tapa na cara do ego’’.
Fumar? 100% de reprovação. Álcool? Sabotador de recuperação.

 A pergunta que deixo para você refletir (e comentar aqui embaixo, se tiver coragem):

Você está treinando para parecer um herói nas fotos ou está ajustando sua biologia para ser uma ferramenta letal?

  Se sua dobra abdominal está alta e sua estratégia nutricional é “comer o que tem”, não culpe o instrutor quando você tocar o sino. A culpa foi sua, e começou na mesa do jantar.

Por: Nutricionista Felipe Costa
Instagram: @felipecosta.nto

Palavras-chave: Nutrição Tática, Performance Policial, Suplementação Militar, Teste de Aptidão Física, Dieta Operacional, Felipe Costa Nutricionista.



Baiano, Nutricionista, Praticante de diversos esportes e especialista em Nutrição Tático Operacional desde 2018. Idealizador do N.T.O (Nutrição e Treinamento Tático Operacional) (Criado em 2024, atual). Nutricionista Parceiro GRR/PRF. (atual) Nutricionista Parceiro ANP/PF. (atual) Nutricionista Parceiro GT3/PCGO. (atual) Nutricionista Parceiro CORE/PCERJ / CORE/PCBA / CORE/PCES. (atual) Professor de Pós Graduação no Instituto Doutrina Policial. (Atual) Fundador Bio Efficiency (2010). Fundador Flora Orgânicos (2016). Pesquisador IBICT (2019).

2 comments

comments user
Felipe Alvim

Muito bom!! Texto excelente

    comments user
    Felipe Costa

    Valeu!!!

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